CRÔNICAS DE UM COTIDIANO INFELIZ II

Quando era mais moleque, todo ano ia passar as férias na casa de uma tia-avó no Rio de janeiro. Ela mora em um apertamento menor que gaveta de banheiro lá no Leblon, o importante que era a uma quadra da praia e eu sempre a visitava com toda a expectativa do verão carioca, das praias, do sol, das pessoas e também surfar naquela praia linda, o único problema é que eu não sabia surfar, e nem tinha prancha, mas isso não tirava minha animação e também se eu tivesse uma prancha eu teria que revezar com ela naquele apartamento de lego, não caberia nós 2.

Mas a realidade era muito diferente, assim chegava na casa da velha com toda o vigor e hiperatividade dos meus 15 anos e tudo o que eu mais fazia de divertido era #porranenhuma isso ae #nadinha.

Minha tia-avó não era uma pessoa sociável, nem sequer muito equilibrada. Eu sempre olhava pra ela com aquela coisa de “você me assusta”…ela era uma mistura de Dercy Gonçalves, tinha a voz chacrinha e sua personalidade, impossível definir, era tipo jogar limão nos olhos, sabe a sensação, isso ae. Digamos que era melhor não mexer com ela…as conseqüências nunca eram boas, nunca…

Lembro-me uma vez que em a mandingueira resolveu tirar um cochilo no meio da tarde e mais que mega depressa eu parti pra rua, aquela praia maravilhosa, aquela brisa, aquela multidão mais maravilhosa ainda! Fiquei totalmente alucinado, igual mineiro quando vê praia… o sinal de pedestres abriu, enchi os pulmões de ar e me imaginei deixando toda aquela #vidadenerd pra trás, minha cor amarelada, meus óculos, peso bem abaixo e minhas roupas já denunciavam isso, porém segui em frente e atravessei.

Havia uma confusão rolando ao longe distante atrás de mim…mas minha mente só via aquele horizonte, percebi pessoas me olhando, até me senti importante, estufei o peito e segui em frente, e continuava uma voz gritando, uma confusão…, o mar, a voz, o mar…os gritos, um arrastão mais ao longe, e mais gritos. Eu na minha distração,  não vi, no meu altismo pessoal continuei andando, parecia comum no rio esse tipo de confusão que sempre assistia pela televisão.

Continuei andando, naquele calçadão ainda na sensação de um mineiro na praia, olhava o calçadão ouvia gritos e via uma bicicleta ao longe, gritos, bicicleta, calçadão, gritos até que um ciclista que vinha rápido na minha direção, ou melhor eu tinha invadido a ciclovia e entrado na frente dele, logo ele teve que parar bruscamente, mas parou…eu repito com ênfase: ELE PAROU! E  o que aconteceu?.

“A voz ” que gritava como uma fera, uma besta selvagem faminta e sedenta por sangue, surgiu como uma assombração, uma mandinga, um super sayajin 3, voando ao meu lado em uma nuvem de cólera e ódio se jogou no ciclista numa tentativa alucinógena de salvar minha vida contra o ciclista que havia PARADO! Eu já falei que ele tava parado?…

A psicopata nem se levantou,ela já estava embolada ao jovem no melhor da Luta Livre de rua, e começou um verdadeiro fight acabando com qualquer esperança de vida naquele ser, nunca distingui os gritos de pavor do ciclista, muito menos como ele conseguiu se levantar e andar novamente depois de tal surra, a velhinha destruía. Ela só parou quando três homens a seguraram enquanto ela distribuía socos e chutes pelo ar e fazendo sons, para quem é fã de “o exorcista” tenha certeza que as expressões e voz foram inspiradas na minha doce vozinha.

Resultado. Fomos parar na delegacia. Eu só queria ir a praia! Enquanto minha tia-avó tentava convencer, na maior performance teatral, o policial de que o neto dela (EU) era portador de uma deficiência mental rara e grave, olhava pra mim apontava e dizia coisas que me deprimem até hoje, eu olhava para aquela serial killer bestificado e incapaz de pronunciar uma silaba sequer, que chorava e passava a mão pelo meu rosto e bagunçando meu cabelo com voracidade. ELA MERECIA UM OSCAR! eu não dormi por semanas imaginando-a virar a cabeça 360 graus com uma língua verde e pontuda pra fora da boca. Mas voltei das férias sem minha praia, continuo amarelo e NERD, porém voltei cheio de história pra contar.

@dimorales com participação @cariocaesteves

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3 Comentários

Arquivado em Humor

3 Respostas para “CRÔNICAS DE UM COTIDIANO INFELIZ II

  1. Daiane Mattos

    Eu com uma vó dessas não tava nem aí se ela morava perto da praia. que medo kkkkkkkk
    Mas dá pra considerar um final feliz, né? Pelo menos tu tem histórias pra contar husauhashu

  2. Willian

    Não acredito…é mentira isso… O.o
    jkkkkkkkkkkkkkkkkk… #pensa

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