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Crônicas de um cotidiano infeliz IV

Minha mãe é uma mulher um pouco digamos de uma forma amena, não muito fã de cachorros e animais de estimação em geral.

Quando eu pedia pra ela que me deixasse ter um cachorrinho ela me respondia no tom mais inspirado em crueldade e cinismo possível: “já tenho dois cachorros dentro de casa, pra que eu vou querer mais um?!” (sim querido leitor, ela se refere a mim e a meu irmão).

Bom, eis que uma amiga do trabalho que tem aquele cachorrinho que inspirou o Bidu da turma da Mônica, eu como grande fã das historinhas, sempre sonhei em ter aquele cachorrinho tão carismático!

O cachorrinho teve filhotes e eu mais que depressa bolei um “plano infalível” para ter um deles para mim! Fui até a casa dessa amiga e tirei dezenas de fotos pelo celular daquela pequena criaturinha linda. Ao voltar para casa convenci uma ou outra amiga minha para ir comigo e não disse nada sobre meu maligno plano de induzir minha mãe, apenas disse: “concorde com tudo que eu disser ok??!” Chegando em casa mostrei as fotos do filhotinho pra minha mãe e meu padrasto dizendo que eu já havia comprado por 500 reais. Por ser um filhote de raça e tal! Minha mãe com cara de “foda-se, devolve!” Quase teve um troço, partiu pra cima de mim como uma psicopata possuída por alguma entidade obscura, podia jurar que vi os olhos dela ficando vermelhos e os dentes pontudos de tanta ira!

Bom, um mês depois disso (mês esse em que fiquei dizendo que o cachorrinho estava chegando e pá e comprei todos os pretecos como casinha, coleira, potinho de comida e blá blá blá). Levei o filhote pra minha casa, antes passei no veterinário paguei uma verdadeira nota por uma vacina e recebi a grande noticia que ainda teriam mais algumas outras infinitas medicações para aplicar, quase fiquei tonto com o valor das injeções.

Quando eu mostrei o bichinho pra minha mãe ela fez uma cara de nojo profundo, como se tivesse vestígios de coco debaixo do nariz e ficou sem falar comigo. Dormi com meu novo companheiro no pé da minha cama, com toda aquela alegria de criança e seu primeiro cãozinho. Dei o nome de Nietzsche. (Se você não prestou atenção nas aulas de historia e ou nas aulas de filosofia eu te indico uma ferramenta ótima de conhecimento avançado: O GOOGLE)

Tudo ia bem, quando um dia eu chego em casa e meu bichinho esta na cama de minha mãe, senti um frio na barriga com aquela ameaça mortal, mas quando cheguei mais perto do quarto vi minha linda mãezinha na cama ao lado do Nietzsche acariciando-o com toda ternura materna. Fiquei parado na porta atônito com aquela visão. Imaginei que houvesse posto algum alucinógeno na minha bebida ou se eu havia morrido e estávamos no paraíso, onde todos são bonzinhos com todos!

Mamãe me olhou com um sorriso e disse palavras que eu jamais imaginei escutar dela: “ele é uma gracinha né filho? Todo educadinho, bonzinho!”

Percebi como um raio quem tinha tomado alucinógenos, pobre mãezinha. Olhei ao redor para constatar se o marido dela tinha a abandonado e ela tido um surto, olhei ao redor da cama para procurar alguma arma branca, pois de fato ela só podia estar me ironizando e prestas a matar meu novo melhor amigo!

Pois é querido leitor, a partir daquele dia macabro meu “EX” melhor amigo e companheiro, virou a sombra de minha mãe, só dorme no quarto dela, quando ela chega em casa ele faz a maior festa do mundo, quando o levo para meu quarto ele fica arranhando a porta querendo ir para o quarto dela e só come quando ela coloca a comida dele.

Mas eu te pergunto: você acha mesmo que quando eu chego sou recebido com festa? Naaaada, é automático: ” vai limpar a sujeira que seu cachorro fez no lugar errado!”. Nessas horas, claro que o cachorro é meu.

Hoje eu olhei bem no fundo dos olhos do Nietzsche, segurei sua cabeça e tive uma conversa séria: “Você me custou 500 reais, mais uma fortuna pra te deixar confortável, espera só que você vai ver seu vira-casaca, vou fazer você dormir no quintal e a próxima vacina meu caro amigo, vai ser daquela mega duvidosas de tão baratas! Me aguarde!” E vim desabafar nesse post.

@dimorales

(Baseado em fatos reais – @Fredbc_)

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